Denison Luz.
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O que os homens não falam 8 jul 20262 min de leitura

sentir é fácil. encarar é que é difícil.

a gente aprendeu a dar nome ao que sente. o problema é o que vem depois.

Reel sentimento tinha. coragem não.

tem uma frase que eu repito bastante nos vídeos: a questão não é se você sente. é o que você faz com o que sente. e é exatamente aí que quase todo mundo trava.

reconhecer a emoção, hoje, a maioria já consegue. você sabe dizer “tô magoado”, “tô com ciúme”, “tô cansado disso”. isso já é muito — é mais do que a geração dos nossos pais teve permissão de fazer. mas dar nome ao que passa por dentro não é a mesma coisa que encarar.

encarar é o passo seguinte, e é o que dói. é ligar de volta. é dizer “isso me machucou” sem transformar numa briga. é pedir desculpa quando errou, sem inventar justificativa. é ficar no desconforto de uma conversa em vez de sumir. sentir é o começo. o difícil vem depois do nome.

nenhum homem acorda decidido a ser frio. ele só aprendeu, em algum lugar, que sentir era perigoso.

e tem uma razão dessa parte ser tão pesada, principalmente pra gente, homem. em algum momento a gente aprendeu que demonstrar o que sente dava problema. que chorar virava piada, que precisar de alguém era fraqueza. então a gente desligou — não porque não sente, mas porque aprendeu a não mexer ali.

o problema é simples: o que a gente não encara não some. só troca de forma. vira irritação por qualquer coisa, vira distância, vira aquele silêncio que a pessoa do teu lado sente mas não consegue explicar de onde veio.

eu não tô aqui pra dizer que é fácil, nem que eu já resolvi isso. eu também tô aprendendo, todo dia. mas tem uma coisa que eu entendi no caminho: encarar não é ter a resposta certa. é não fugir da pergunta.

então, da próxima vez que bater aquele aperto e você já souber o nome dele — para um segundo antes de fazer o de sempre. reconhecer já é mais do que a maioria consegue. mas não para aí. o que muda a sua vida não é sentir. é o que você faz com o que sentiu.

se alguma coisa aqui fez sentido, me conta no dm. pode ser uma palavra só — eu respondo.